Ativo Imobilizado: o que é e como contabilizar

Entenda o que é Ativo Imobilizado, como calcular a depreciação e como contabilizar os bens da empresa.

Ativo Imobilizado: o que é e como contabilizar
Ativo Imobilizado: bens tangíveis que a empresa mantém para utilizar em suas operações.

O ativo imobilizado reúne bens tangíveis que a empresa mantém para utilizar em suas operações. Máquinas, veículos, computadores, móveis e imóveis usados pela própria organização são exemplos comuns.

Esses bens não são adquiridos para revenda imediata. Eles apoiam a produção, a prestação de serviços, a administração ou outras atividades da empresa ao longo do tempo. Por isso, exigem controle patrimonial, documentação adequada, cálculo de depreciação e acompanhamento contábil.

A gestão correta do ativo imobilizado ajuda a empresa a conhecer seu patrimônio, melhorar decisões de investimento e manter registros contábeis mais confiáveis.

Insights

  • Ativo imobilizado reúne bens tangíveis mantidos para uso nas operações da empresa, como máquinas, veículos, equipamentos e imóveis utilizados pela própria organização.
  • O reconhecimento desses bens depende da expectativa de benefícios econômicos futuros e da possibilidade de mensurar seu custo com confiabilidade.
  • A depreciação distribui o valor depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil estimada e exige controle patrimonial, documentos de aquisição e revisão periódica das estimativas.

O que é Ativo Imobilizado?

De acordo com o CPC 27, ativo imobilizado são itens tangíveis mantidos para uso na produção ou fornecimento de mercadorias e serviços, para locação a terceiros ou para fins administrativos, e que se espera utilizar por mais de um período.

Em termos simples, é um bem físico que apoia a atividade da empresa e gera benefícios econômicos ao longo do tempo. Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Máquinas e equipamentos industriais;
  • Veículos utilizados na operação;
  • Computadores, servidores e impressoras;
  • Móveis e utensílios;
  • Ferramentas e equipamentos de segurança;
  • Galpões, fábricas, escritórios e lojas usados pela empresa;
  • Instalações e benfeitorias que aumentem a capacidade de uso de um bem.

O CPC 27 disciplina o reconhecimento, a mensuração, a depreciação e a divulgação de ativos imobilizados nas demonstrações contábeis. Consulte o CPC 27

Critérios para reconhecer um bem como ativo imobilizado

Um item pode ser reconhecido como ativo imobilizado quando:

  • É um bem tangível;
  • Está sob controle da empresa;
  • Deve gerar benefícios econômicos futuros;
  • Seu custo pode ser mensurado de forma confiável;
  • Será utilizado nas operações, e não destinado à venda imediata.

A vida útil esperada é relevante para a gestão e para a depreciação, mas não deve ser tratada isoladamente como o único critério para definir um ativo imobilizado.

Por exemplo, uma máquina adquirida para fabricar produtos é normalmente imobilizada. Já uma máquina comprada por uma revendedora para ser vendida a clientes deve ser tratada como estoque.

Ativo Imobilizado, Estoque, Despesa e Intangível: qual é a diferença?

A classificação correta é essencial para que as demonstrações contábeis reflitam a realidade da empresa.

Ativo Imobilizado

São bens físicos usados pela empresa em suas operações, como veículos, máquinas, computadores e imóveis de uso próprio.

Estoque

São mercadorias, matérias-primas ou produtos destinados à venda, transformação ou consumo no processo produtivo. Um veículo pode ser ativo imobilizado para uma transportadora, mas estoque para uma concessionária.

Despesa

São gastos consumidos no período ou que não atendem aos critérios de reconhecimento como ativo. Manutenção rotineira, treinamento de equipe e despesas administrativas gerais, por exemplo, normalmente não integram o custo do ativo.

Ativo Intangível

São ativos sem substância física, como marcas, patentes, licenças, softwares e direitos autorais. Eles seguem regras próprias, especialmente o CPC 04.

Quadro explicativo do que é um Ativo Imobilizado e Ativo Intangível
Diferença entre Ativo Imobilizado X Ativo Intangível.

Imóvel próprio é sempre Ativo Imobilizado?

Não necessariamente. Um imóvel utilizado pela própria empresa como escritório, loja, fábrica ou galpão operacional pode integrar o ativo imobilizado.

Por outro lado, um imóvel mantido para obter renda de aluguel, valorização de capital ou ambos pode ter tratamento como propriedade para investimento, conforme as regras aplicáveis. A classificação depende da finalidade do bem e deve ser analisada pela contabilidade da empresa.

Além disso, terreno e edificação devem ser observados separadamente. Em regra, o terreno não é depreciado, enquanto a edificação pode sofrer depreciação conforme sua vida útil estimada.

Como contabilizar um Ativo Imobilizado?

A contabilização costuma envolver três etapas: reconhecimento, mensuração inicial e acompanhamento posterior.

Mensuração inicial: qual valor registrar?

O ativo deve ser inicialmente registrado pelo custo. Esse custo não se limita ao preço de compra. Podem integrar o valor do ativo os gastos diretamente atribuíveis a colocá-lo em condição de uso, como:

  • Preço de aquisição;
  • Tributos não recuperáveis;
  • Frete e seguro de transporte;
  • Instalação e montagem;
  • Testes necessários para verificar o funcionamento;
  • Honorários técnicos diretamente relacionados à aquisição ou instalação.

Por outro lado, gastos com treinamento de funcionários, despesas administrativas gerais e perdas operacionais iniciais, em regra, não integram o custo do ativo.

Exemplo de custo de aquisição

Uma empresa compra uma máquina por R$ 80.000,00, paga R$ 2.000,00 de frete e R$ 3.000,00 pela instalação. O custo inicial do ativo será:

R$ 80.000 + R$ 2.000 + R$ 3.000 = R$ 85.000

Esse será o valor-base para o controle contábil e para a apuração da depreciação, observadas a vida útil e o valor residual estimados.

Bens de baixo valor: precisam ser imobilizados?

A resposta depende da análise contábil e fiscal. Para fins fiscais, o Regulamento do Imposto de Renda permite que a empresa deduza como despesa a aquisição de bem quando:

  • O valor unitário não ultrapassar R$ 1.200,00; ou
  • A vida útil do bem não for superior a um ano.

Essa regra não significa que todo bem acima de R$ 1.200,00 deve ser automaticamente imobilizado em qualquer situação. A classificação contábil deve observar a natureza do bem, sua materialidade, a política contábil da empresa e as normas aplicáveis.

Além disso, a regra de baixo valor não deve ser usada para fragmentar artificialmente um conjunto de bens que funciona como uma única unidade operacional. Decreto nº 9.580/2018, art. 313

O que é Depreciação?

Depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil. Ela reconhece contabilmente que determinados bens perdem capacidade de gerar benefícios econômicos com o uso, desgaste físico, obsolescência tecnológica ou passagem do tempo.

Nem todos os ativos são depreciados. Terrenos, por exemplo, normalmente não sofrem depreciação porque, em geral, têm vida útil indefinida. Já máquinas, veículos, móveis e edifícios podem ser depreciados.

Como calcular a Depreciação?

No método linear, um dos mais utilizados, a depreciação é distribuída de forma uniforme ao longo da vida útil estimada. A fórmula simplificada é:

Depreciação anual = (custo do ativo − valor residual) ÷ vida útil

O valor residual é a estimativa do montante que a empresa espera obter com a venda ou baixa do bem ao final de sua vida útil, descontados os custos esperados de alienação.

Exemplo de depreciação

Considere uma máquina registrada por R$ 85.000,00, com vida útil estimada de cinco anos e valor residual de R$ 5.000,00.

R$ 85.000 − R$ 5.000 = R$ 80.000

R$ 80.000 ÷ 5 anos = R$ 16.000 por ano

Nesse exemplo, a despesa anual de depreciação seria de R$ 16.000,00. A empresa também pode controlar o valor mensal:

R$ 16.000 ÷ 12 meses = R$ 1.333,33 por mês

A estimativa de vida útil, o valor residual e o método de depreciação devem refletir o padrão esperado de consumo dos benefícios econômicos do ativo. Essas estimativas devem ser revisadas quando houver mudanças relevantes.

Taxas de Depreciação: contábil e fiscal

Para fins contábeis, a depreciação deve refletir a vida útil econômica estimada do bem e as condições de uso da empresa.

Para fins fiscais, existem taxas de referência. Alguns exemplos usuais são:

BemTaxa anual de referência
Edificações4%
Máquinas e equipamentos em geral10%
Móveis e utensílios10%
Veículos20%
Computadores e periféricos20%

Essas taxas não eliminam a necessidade de análise técnica. Uma empresa pode ter condições de uso que justifiquem vida útil distinta, mas a adoção de critérios diferentes exige fundamentação e documentação adequadas.

A Receita Federal estabelece que a taxa de depreciação deve considerar o período em que se espera utilizar economicamente o bem, admitindo prova de adequação em hipóteses específicas. IN RFB nº 1.700/2017

Quando começa a depreciação?

A depreciação começa quando o ativo está disponível para uso, isto é, quando está nas condições necessárias para operar conforme a finalidade pretendida pela empresa.

Isso pode ocorrer depois da compra. Uma máquina adquirida em janeiro, mas instalada e liberada para operação apenas em março, normalmente começa a ser depreciada a partir do momento em que passa a estar disponível para uso.

Melhorias, manutenção e reparos

Nem todo gasto realizado em um bem imobilizado deve aumentar seu valor contábil. Uma melhoria pode ser incorporada ao ativo quando aumenta sua capacidade produtiva, prolonga sua vida útil ou gera benefícios econômicos adicionais.

Já reparos e manutenções de rotina, que apenas mantêm o ativo em condições normais de funcionamento, tendem a ser reconhecidos como despesa do período. Exemplo:

  • Troca periódica de óleo de veículo: normalmente despesa de manutenção;
  • Reforma que amplia permanentemente a capacidade de um galpão: pode ser capitalizada, conforme análise técnica e contábil.

Gestão e Controle Patrimonial

A gestão do ativo imobilizado não termina com o registro contábil. Um controle patrimonial eficiente permite acompanhar a existência, localização, responsabilidade, estado de conservação e valor contábil de cada bem. Boas práticas incluem:

  • Manter notas fiscais, contratos e documentos de aquisição;
  • Identificar os bens com etiquetas, plaquetas ou códigos;
  • Registrar localização e responsável pela guarda;
  • Fazer inventários físicos periódicos;
  • Controlar manutenções, transferências e ocorrências;
  • Conciliar o inventário físico com a contabilidade;
  • Revisar vida útil, valor residual e sinais de perda de valor.

Sistemas de código de barras ou RFID podem facilitar o inventário e reduzir divergências, especialmente em empresas com grande volume de equipamentos.

Perda por desvalorização

Além da depreciação, a empresa deve observar sinais de que um ativo pode não ser recuperável pelo valor registrado.

Obsolescência tecnológica, danos físicos, queda relevante na demanda, paralisação de operação ou mudanças significativas no mercado podem indicar a necessidade de avaliar perda por desvalorização, também conhecida como impairment.

Quando houver sinais relevantes, a empresa deve analisar se o valor contábil do ativo pode ser recuperado. Esse procedimento é tratado pelo CPC 01.

Baixa e venda de Ativo Imobilizado

A baixa ocorre quando o ativo é vendido, descartado, perdido, furtado, sinistrado ou deixa de gerar benefícios econômicos futuros.

Na baixa, a empresa deve retirar o custo do bem e a depreciação acumulada dos registros contábeis. A diferença entre o valor recebido na venda e o valor contábil líquido pode resultar em ganho ou perda.

Por exemplo, se um veículo possui valor contábil líquido de R$ 20.000,00 e é vendido por R$ 25.000,00, haverá ganho contábil de R$ 5.000,00. Se for vendido por R$ 15.000,00, haverá perda contábil de R$ 5.000,00.

Os efeitos tributários da operação variam conforme o regime da empresa, a natureza do bem e a legislação aplicável. Por isso, a baixa deve ser documentada e validada pela área contábil e fiscal.

CFOP em operações com Ativo Imobilizado

Operações com bens do ativo imobilizado podem exigir CFOP específico na documentação fiscal. Como exemplo, os códigos 1.551 e 2.551 são utilizados para compra de bem destinado ao ativo imobilizado em operações internas e interestaduais, respectivamente; já 5.551 e 6.551 são usados para venda de bem do ativo imobilizado.

No entanto, o CFOP correto depende da operação, da origem e do destino da mercadoria, da situação tributária e da legislação estadual aplicável. A emissão de nota fiscal e o tratamento de ICMS devem ser validados pelo responsável fiscal da empresa.

Conclusão

O ativo imobilizado representa bens essenciais para a continuidade e o crescimento das operações empresariais. Uma classificação correta ajuda a empresa a registrar adequadamente seus investimentos, controlar seu patrimônio e tomar decisões mais informadas.

Para uma gestão eficiente, é importante distinguir o imobilizado de estoque, despesa e intangível; registrar corretamente os custos de aquisição; calcular a depreciação com base em estimativas consistentes; e manter controles físicos e contábeis atualizados.

Como as regras contábeis e fiscais podem variar conforme o tipo de bem, a atividade e o regime tributário, a orientação de um contador é essencial para decisões específicas.


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Perguntas Frequentes

O que é Ativo Imobilizado?

É o conjunto de bens tangíveis que a empresa utiliza em suas operações, como máquinas, veículos, equipamentos, computadores, móveis e imóveis de uso próprio.

Veículo é Ativo Imobilizado?

Sim, quando o veículo é utilizado pela empresa em suas atividades e não foi adquirido para revenda. Para uma concessionária, por exemplo, veículos destinados à venda normalmente são classificados como estoque.

Imóvel alugado é Ativo Imobilizado?

Depende da finalidade. Um imóvel usado como sede, loja ou galpão próprio pode integrar o imobilizado. Um imóvel mantido para renda de aluguel ou valorização pode receber tratamento contábil como propriedade para investimento.

Qual é o valor mínimo para imobilizar um bem?

Não há um único valor contábil aplicável a todas as empresas. Para fins fiscais, o RIR permite dedução direta de bens de até R$ 1.200,00 ou com vida útil de até um ano, mas a classificação deve considerar a política contábil e a natureza do bem.

Móveis e utensílios depreciam em quantos anos?

A taxa fiscal de referência para móveis e utensílios é de 10% ao ano, equivalente a uma vida útil de dez anos. A estimativa contábil pode variar conforme as condições reais de uso.

Quando um ativo deve ser baixado?

Quando ele é vendido, descartado, perdido, furtado, sinistrado ou deixa de gerar benefícios econômicos futuros para a empresa.

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